
Quando viajar perde o sentido — um filme para refletir antes da próxima viagem
O filme Férias com Você, recentemente lançado na Netflix, é um filme para refletir antes da próxima viagem; ele conta a história de Poppy, uma garota extrovertida, impulsiva e apaixonada por viagens. Desde a adolescência, ela sonhava em conhecer o mundo — tanto que acabou transformando esse desejo em profissão. Já adulta, trabalha para um jornal, viajando constantemente para escrever sobre suas experiências.
Apesar de ter alcançado o que muitos considerariam o “emprego dos sonhos”, Poppy vive um dilema comum à vida adulta: o sucesso profissional não veio acompanhado de pertencimento ou companhia. Sentindo-se sozinha, ela começa a revisitar suas viagens favoritas ao lado de Alex, um amigo que conheceu logo após o colégio.
Quando querer tudo parece nunca ser suficiente
Ao longo da história, o filme dialoga diretamente com a geração millennial — uma geração que não se contenta apenas com casa, carro e família. Queremos o trabalho ideal, liberdade geográfica, experiências intensas e, acima de tudo, sentir que estamos vivendo algo único. Não é por acaso que a ideia de ser nômade digital se tornou tão desejada: viajar promete a chance de ser quem você quiser, longe de julgamentos e expectativas.
Essa narrativa conversa muito com a minha própria experiência. Quando comecei a viajar, senti uma liberdade quase absoluta, como se qualquer caminho fosse possível. O meu ponto de virada foi um intercâmbio na Irlanda: sair do meu país, da minha profissão e da minha família para me reinventar em um contexto completamente diferente.
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No filme, Poppy viaja com Alex, que é seu oposto: reservado, racional e adepto de rotinas estáveis. Mesmo assim, eles se complementam. Escrevem histórias juntos, se apoiam nos momentos difíceis, vivem romances paralelos e amadurecem com o tempo. Alex cuida de Poppy quando ela adoece; ela o puxa para fora da zona de conforto.
Quando o sonho vira obrigação
Com os anos, porém, os caminhos se separam. Poppy se envolve com um nômade digital e continua viajando. Alex escolhe estabilidade: constrói uma carreira, compra uma casa e decide se casar. Para ele, férias são uma pausa da rotina, não um estilo de vida. As viagens entre amigos cessam, e eles passam mais de dois anos sem se ver, até que Poppy é convidada para o casamento do irmão dele.
É nesse ponto que o filme deixa claro que nenhum dos dois “tem tudo”.
Poppy, apesar do trabalho dos sonhos, perde o sentido daquilo que fazia. Viajar vira obrigação. Falta contato humano, afeto, a sensação de ter um lugar para chamar de casa.
Alex, por outro lado, percebe que a vida excessivamente planejada também cobra seu preço. Ele sente falta de desafio, de espontaneidade, de uma vida que não siga um roteiro pré-definido.

Essa dualidade é extremamente atual. Durante muito tempo, eu também planejei tudo: carreira, casa, viagens. Mesmo depois de mudar de país, continuei tentando controlar cada detalhe. Minhas viagens tinham roteiros perfeitos, horários definidos, vídeos assistidos e mapas estudados. Eu queria “ver tudo”, passar por todos os pontos turísticos — quase como uma guia turística de mim mesma.
Com o tempo, isso virou tendência: contar países. Redes sociais cheias de “já conheci 10, 15, 20 países”. Confesso que entrei nessa lógica. Houve lugares que visitei por um ou dois dias e disse que conhecia. Mas, assim como acontece com Poppy, isso para de fazer sentido em algum momento.
O que o filme revela quando a viagem deixa de ser corrida

Essa é uma das principais lições do filme: conhecer um lugar não é o mesmo que passar por ele. Viver em hotéis, correr de ponto turístico em ponto turístico e ir embora não cria vínculo. Conhecer de verdade envolve sentir o ambiente, conversar com pessoas, experimentar a comida, observar a cultura — e, principalmente, criar memórias significativas.
Quanto vale dizer que você “conhece” um lugar?
E quanto vale uma viagem em que você se sente genuinamente feliz, conectado e presente?
No casamento, Poppy e Alex finalmente conversam com honestidade. Ela expressa a tristeza de terem se afastado; ele admite que sempre quis mais do que amizade. O romance acontece, mas Poppy ainda tem medo de escolher, de criar raízes, de chamar um lugar de casa. Com medo de decidir errado, ela acaba perdendo Alex mais uma vez.
O casamento ocorre em Barcelona, uma cidade muito gostosa de visitar e que eu recomendo. Tem roteiro completo no blog — clique aqui para saber mais.
Só depois de refletir sobre sua própria vida, Poppy entende que não quer mais viagens vazias. Decide pedir demissão e buscar um lugar onde se sinta acolhida — e onde possa estar com Alex.
O que fica depois que a viagem acaba

Apesar do tom romântico, quase “água com açúcar”, o filme deixa duas reflexões importantes:
- Nunca é tarde para mudar de ideia.
O trabalho dos seus sonhos aos 20 anos pode não ser o mesmo aos 30 — e tudo bem recomeçar. - Viajar é, acima de tudo, uma forma de se conhecer.
Sozinha ou acompanhada, viajar não deveria ser sobre cumprir roteiros ou acumular destinos, mas sobre viver o momento, sair do plano quando necessário e se permitir ter aventuras reais.
No fim, o filme não é sobre escolher entre estabilidade ou liberdade — é sobre entender que nenhuma escolha faz sentido quando deixa de ter significado.
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